segunda-feira, 18 de abril de 2011

Guaco


O guaco (Mikania glomerata), da família das Compostas, é originário do Brasil e sempre foi muito conhecido pelos índios brasileiros, que usavam a planta para combater o veneno das serpentes (daí vêm alguns dos seus nomes populares). Ainda hoje, em algumas regiões do Brasil, o macerado das folhas é aplicado em forma de cataplasma sobre picadas de cobras e outros animais peçonhentos. Existe também a tradição de usar a planta fresca e nova (cujas folhas emanam um aroma intenso e agradável) para manter as cobras afastadas. Por isso, é também conhecida como erva-de-serpentes, cipó-catinga ou erva-de-cobra.

O guaco é uma planta que se desenvolve bem em locais com clima ameno, como os da região Sul e boa parte do Sudeste. Trata-se de um arbusto lenhoso e cheio de ramos, que cresce como uma trepadeira, embora não tenha garras para se prender e precise de suporte como apoio. As folhas apresentam um tom verde brilhante e são levemente escuras na face superior e mais claras no verso. A floração, de cor branca ou amarelada, surge na forma de pequenos capítulos. É importante lembrar que o guaco só floresce quando cultivado em locais onde possa receber luz solar direta.

Para o plantio, recomenda-se solo arenoso e rico em matéria orgânica. O plantio se faz por estacas de caule que apresentem pelo menos dois nós. Após o enraizamento, a muda deve ser transplantada para um local que lhe sirva de suporte. No caso de optar-se pelo plantio em vasos ou jardineiras, é necessário providenciar um apoio. 

Por ser uma planta relativamente rústica, o guaco não exige muitos cuidados. Para garantir um crescimento robusto, é recomendável, por ocasião do plantio, incorporar ao solo uma adubação com húmus de minhoca. Nos períodos de seca é importante estar atento para manter a terra úmida, irrigando sempre que necessário, mas evitando encharcamentos. Tanto as folhas como as flores podem ser usados com finalidades medicinais. A colheita se dá normalmente seis meses após o plantio, quando é possível colher as primeiras folhas.

Cientificamente já está provado que o guaco apresenta propriedades medicinais expectorantes e broncodilatadoras, sendo indicado no combate à tosse, asma, bronquite, rouquidão e outros sintomas associados à gripes e resfriados. Popularmente, o guaco continua sendo usado para tratar reumatismo, infecções intestinais e cicatrizar ferimentos. A planta não apresenta princípios tóxicos, mas deve ser usada com cautela, evitando-se todo tipo de excesso. Para o uso em crianças, é recomendável sempre a metade da dose indicada para os adultos.

Como usar:
  • Chá de guaco: colocar 5 g (cerca de uma colher de chá) de folhas secas em meio litro de água fervente. Abafar e depois coar. Pode ser tomado como um chá comum, três vezes ao dia. Dica: para secar as folhas, pendure-as amarradas em maço, num local arejado e sem umidade.
  • Xarope de guaco com mel: coloque um punhado de caules e folhas em 2 e 1/2 litros de água fervendo, deixando no fogo até reduzir para 1/2 litro. Espere esfriar um pouco, filtre, junte 250 g de açúcar e ferva até o ponto de xarope. Desligue e acrescente 3 colheres(sopa) de mel. Deixe esfriar e guarde em um vidro bem limpo e seco. Usar como um xarope, três vezes ao dia.
  • Xarope de guaco: ferver água e açúcar em ponto de calda. Juntar um chá bem forte de guaco e misturar até incorporar bem. Para aliviar a tosse, recomenda-se 1 colher (sopa) três vezes ao dia. 
  • Receita cicatrizante: ferver algumas folhas de guaco com um pouco de água, juntando uma pequena quantidade de raiz de confrei e um pouco de casca de romã.